Seis histórias de tamanhos diferentes que me aconteceram ao mesmo tempo (2021)

Ilustrações de Catarina Sobral, Bruáá Editora

Imaginar é atirar com erros ao cérebro. É entrar num stand de automóveis e pedir um Fiat malpassado. Ora, se eu tivesse pedido um Fiat vermelho-sangue, talvez parecesse que tinha um gosto especial, mas seria normal.

Se eu pedisse um bife bem-passado, encaminhavam-me para o restaurante ao lado. Mas se eu pedir um Fiat malpassado começa logo a cabeça a perguntar: “Estará louca? Estará a gozar? Percebi bem? Está a falar a sério?” É no momento em que não percebemos que começamos a pensar, que é uma coisa diferente de acreditar, saber de cor, ou pior, fazer só o que nos dizem.

Não perceber é muito bom! Porque quando não se percebe tem de se descobrir, ou ficar à nora. Dá para fazer imensa coisa com isso. Este livro é um erro no cérebro. Não se preocupem se não o perceberem, e duvidem muito se fizer sentido. Com ele, descobri imensa coisa que não sabia que tinha na cabeça.

Espero que vocês encontrem muito disparate nas vossas cabeças também!

PRESS

No universo caótico e multifacetado de Seis Histórias de Tamanhos Diferentes que Me Aconteceram ao Mesmo Tempo, Patrícia Portela não apenas nos narra, mas nos arrasta para uma verdadeira montanha-russa emocional.

…A literatura de Patrícia Portela é uma ode à diversidade, à fragilidade e, principalmente, à beleza do ser humano em sua essência. Ao encerrar a obra, você estará não apenas mais sábio, mas irrevogavelmente transformado.
In próximolivro.net

Em “A Viagem”, a falta de energia é, mais do que uma lembrança de uma visita ao quadro eléctrico, uma lembrete de que é tempo de sair de casa e fazer uma grande viagem; “O Meu Pai-Árvore” mergulha na nostalgia e destaca, nas sempre pouco lineares relações, os enganos carinhosos; em “Fazer figura de urso”, releva-se um mantra que reza mais ou menos assim: para pensar melhor, é preciso sair para voltar depois a entrar. Há circo, ginger ale e exposições, numa história onde as Ficções do mestre Jorge Luis Borges têm o gosto da última bolacha do pacote; “Morrer de vergonha” ensina técnicas para contornar a vergonha, que envolvem submarinos, plantas carnívoras e passeios à beira-mar; “Uma consideração” vai de encontro à ideia de que a cabeça é, por vezes – muitas vezes -, o lugar mais difícil de abandonar; a fechar temos “Noutro dia”, um final feliz de uma história que corre em paralelo com o clássico O Rei vai nu.

As ilustrações são de traço grosso, com o preto bem vincado, permitindo às outras cores uma lenta dança – talvez uma valsa -, num livro com uma costela de BD onde há árvores e montanhas, barcos e naves espaciais, pássaros e ursos. E, claro, muita imaginação à solta.
Pedro Miguel Silva in deusmelivro