PASSADORES foi um projecto desenvolvido entre 2025 e 2026 entre as aldeias de Paradela, Freixieiro ou São Martinho no concelho de Miranda do Douro, em Trás-os- Montes, Portugal, em Santiago de Compostela e Ribadavia, na Galiza, em San Cristóbal, um bairro na periferia de Madrid, e no Couto Mixto, em Espanha.
Uma viagem por memórias colectivas e familiares de contrabando, passadores, desertores, exilados e emigrantes entre o período da Guerra Civil Espanhola e da revolução dos Cravos de 1974. Uma reflexão sobre o que é isto de se ser raiano e de viver numa região transfronteiriça por onde tudo parece transitar e tudo pode ser interditado: mercadorias, pessoas, animais, culturas e uma pergunta: Será que não somos mais um caminho do que um lugar? Mais raia do que centro? Mais contrabando do que lei? Mais mistura que uma coisa só?
Em 1993, um mercado único europeu aboliu as fronteiras fiscais e aduaneiras entre Portugal e Espanha – que passaram a ser fronteiras interiores de uma Europa supostamente unida – e fortaleceu as fronteiras exteriores com o resto do mundo. Entrar e sair entre países europeus passou a fazer-se sem paragens na alfândega enquanto entrar e sair da Europa permanece um assunto complexo para quem nasceu do outro lado da fronteira e não tem um passaporte de nenhum dos 27 países que a compõem ou não tem dinheiro para comprar esse direito. O que é a raia, o que é centro ou o que é a periferia são conceitos imaginários temporários e transformáveis que travam lutas e impedem vidas muito reais para quem, acidentalmente, nasceu num determinado lugar e momento da história.
Passadores é uma história ficcionada que engloba múltiplos testemunhos reais de passadores, emigrantes, imigrantes e contrabandistas de Portugal e de Espanha, encarnada por duas atrizes, uma portuguesa, uma galega na presença de dois ou mais “personagens reais” que entrevistamos ao longo de 3 anos. Dependendo da data, da geografia e da disponibilidade, em cena estarão as duas atrizes e duas, quatro, seis ou dez das testemunhas entrevistadas.
A super-história, que inclui testemunhos entre 1920 e 2026 e momentos vividos há 90 anos, há 70 anos, há 50 anos, há 30 anos e há uns dias, e é contada de forma encenada, ficcionada e por episódios na presença daqueles que a viveram enquanto preparam uma refeição para os espectadores e decoram o local (interior ou exterior) para uma festa de aldeia com bailarico e música ao vivo.
Os espectadores são convidados a entrar para um largo, uma igreja, um átrio ou para um salão de festas onde todos os colaboradores, actores e convidados se encontram já a dançar “baile em linha” ou a cantar o canto de Seitura. Os espectadores podem entrar e juntar-se à dança, podem pedir uma bebida, podem ajudar nos preparativos, podem sentar-se nos bancos da igreja, dependendo do contexto. À medida que chegam todos os espectadores, inicia-se o espectáculo onde duas atrizes, em português e em espanhol, contam a história dos últimos 100 anos da sua “supra-vida”que inclui peripécias de vários das personagens em vários momentos da sua vida e em diferentes países, sendo sempre corrigidas pelos reais protagonistas presentes no espectáculo.
FICHA ARTÍSTICA
Apoio à dramaturgia e encenação Ângela Rodriguez
Performers Pedro Sousa Loureiro (PT) e Mariña Léston (GA) Protagonistas/participantes de Miranda do Douro, Galiza e Madrid
Senhor Abel, Senhor Abílio, Senhor Artur de Miranda do Douro
Angel e Jesus, Teresa, Maria la portuguesa (Venezuela), Imaculatta (Nigeria), Rita
(Cuba) de San Cristóbal, Madrid
Desenho de luz – Zé Rui
Música tradicional galega e portuguesa – selecção colectiva
Co-produtores; TNG, Prado, AEPGA (Miranda do Douro)
Apoio a residência 2025 (rota clandestina/rota do sentir)
Apoio internacionalização – DGARTES 2025